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Igreja de Santa Maria de Cós - detalhe

Designação

Designação

Igreja de Santa Maria de Cós

Outras Designações

Mosteiro de Santa Maria de Cós

Categoria / Tipologia

Arquitectura Religiosa / Igreja

Inventário Temático

-

Localização

Divisão Administrativa

Leiria / Alcobaça / Coz, Alpedriz e Montes

Endereço / Local

-- -
Lugar de Cós

Proteção

Situação Actual

Classificado

Categoria de Protecção

Classificado como IIP - Imóvel de Interesse Público

Cronologia

Decreto n.º 35 443, DG, I Série, n.º 1, de 2-01-1946 (ver Decreto)

ZEP

-

Zona "non aedificandi"

-

Abrangido em ZEP ou ZP

Abrangido por outra classificação

Património Mundial

-

Descrições

Nota Histórico-Artistica

Imóvel
A atual igreja do Mosteiro de Santa Maria de Coz, no concelho de Alcobaça, é o único espaço preservado do antigo cenóbio. Volta-se para o terreiro formado pelo corpo da nave e pela ala dos dormitórios, tendo adossado, a norte, o corpo da sacristia e salas anexas, sendo a ala perpendicular dos dormitórios, a sul, antecedida por portaria e torre sineira. As restantes estruturas do complexo distribuir-se-iam em redor, ocupando áreas hoje correspondentes a eixos viários, logradouros e imóveis particulares, entre os quais se inclui o celeiro monástico, que funcionaria num edifício vizinho.
O exterior do templo, muito austero, com abside contrafortada nos cunhais, revela um corpo longitudinal alongado pelo coro das monjas. O portal é de verga reta, enquadrado por arquitrave sobre pilastras, e encimado por frontão triangular interrompido com brasão real emoldurado por cartela de volutas, e a data de 1671 inscrita no lintel.
A severidade das fachadas contrasta com a decoração barroca do interior, distribuída pela nave única que se articula com a capela-mor, mais elevada, e com o coro. A nave, coberta por teto em falsa abóbada de berço com caixotões de madeira pintados, é separada visualmente do coro por um grande arco totalmente preenchido por grade, e encimado por passadiço com balaustrada alta. Os muros são animados por silhares de azulejo de padrão azuis e brancos, enquadrando retábulos maneiristas e barrocos de talha dourada. A capela-mor é constituída por tramo único pouco profundo, mais estreito que a nave, inteiramente revestido por lambril e painéis de talha dourada emoldurando telas, revestimento que culmina no retábulo-mor, cuja tribuna exibe um conjunto escultórico representando a Sagrada Família durante a Fuga para o Egipto, sendo o trono ornado por imagem da Virgem.
Do lado oposto, o coro está revestido por azulejos de padrão azuis e brancos, aos quais se encosta o magnífico cadeiral. A eixo com o altar-mor encontra-se um portal quinhentista de cantaria, em arco polilobado, ornado com grutescos, motivos vegetalistas e heráldica, abrindo-se, a sul, uma porta para as dependências conventuais, e, a norte, o acesso à sacristia, cujas paredes se encontram revestidas por painéis de azulejos figurando episódios da vida de São Bernardo, existindo ainda vestígios de pinturas murais.
Das dependências conventuais resta o primeiro troço do corpo arruinado de um dormitório, cujas celas se distribuem ao longo de um corredor abobadado em berço.
História
Datará da primeira metade do século XIII a fundação deste mosteiro, destinado, segundo relatos da época, a receber algumas viúvas devotas que asseguravam o funcionamento da poderosa abadia de Alcobaça. Embora a instituição detivesse grande importância na povoação que se desenvolvia à sua sombra, o número de monjas e professas manteve-se modesto até ao século XVI. O ponto de viragem na vida da comunidade deu-se c. 1530, quando o mosteiro foi reconhecido pela Ordem de Cister, e elevado a abadia regular. As edificações medievais já haviam sofrido pelo menos uma grande intervenção, datada de 1519-27, e talvez conduzida por João de Castilho, da qual o vestígio mais notável é o portal manuelino recolocado no extremo nascente do coro da igreja. A estas obras, concluídas numa campanha terminada em 1562, seguiu-se a grande empreitada da segunda metade do século XVII, da qual resultaram a imponente igreja atual, erguida entre 1669 e 1671, e a moderna feição do claustro e dos dormitórios. Nos anos seguintes, até c. 1716, concluiu-se a campanha decorativa barroca que dotou a igreja e seus anexos de altares de talha dourada, revestimentos azulejares e pintura.
O período áureo da comunidade religiosa terminou com a destruição causada pelo Terramoto de 1755, que desalojou as monjas, e com a extinção das Ordens religiosas, em 1834, à qual se seguiram o saque generalizado e a ocupação desordenada dos espaços monásticos.
Sílvia Leite
DGPC

Imagens

Bibliografia

Título

"A Obra Silvestre e a Esfera do Rei"

Local

Coimbra

Data

1990

Autor(es)

PEREIRA, Paulo

Título

"Azulejaria em Portugal no século XVIII"

Local

Lisboa

Data

1979

Autor(es)

SIMÕES, J. M. dos Santos

Título

"O Azulejo em Portugal"

Local

Lisboa

Data

1989

Autor(es)

MECO, José

Título

"Les azulejos de l'abbaye cistercienne de Cós, en Estremadura, separata dos Arquivos do Centro Cultural Português"

Local

Paris

Data

1974

Autor(es)

COCHERIL, Maur

Título

""A imagem de S. Bernardo em azulejo do Mosteiro de Santa Maria de Cós", Azulejo, n.º 3/7"

Local

Lisboa

Data

1999

Autor(es)

PAIS, Alexandre Nobre

Título

""O sentido da decoração no painel do cadeiral de Cós", Actas do Congresso Internacional para a Investigação e Defesa do Património"

Local

Alcobaça

Data

1978

Autor(es)

TRINDADE, Maria Augusta

Título

""Pintura maneirista e barroca na região dos Coutos de Alcobaça, 1538-1750". Arte e Arquitectura nas Abadias Cistercienses nos séculos XVI, XVII e XVIII (Actas), pp. 121-144"

Local

Lisboa

Data

2000

Autor(es)

SERRÃO, Vítor

Título

"Routier des abbayes cisterciennes du Portugal"

Local

Paris

Data

1986

Autor(es)

COCHERIL, Maur

Título

"Inventário Artístico de Portugal, vol. V (Distrito de Leiria)"

Local

Lisboa

Data

1955

Autor(es)

SEQUEIRA, Gustavo de Matos

Título

"Intimidade e Encanto. O Mosteiro Cisterciense de Santa Maria de Cós (Alcobaça)"

Local

Lisboa

Data

1998

Autor(es)

GOMES, Saul António, SOUSA, Cristina Maria André de Pina e Sousa

Título

"Mosteiro de Santa Maria de Cós (Alcobaça). Contributos para a sua conservação e valorização"

Local

Leiria

Data

2011

Autor(es)

MARTINHO, Ana Margarida Louro