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Igreja de Santa Maria de Cós - detalhe

Designação

Designação

Igreja de Santa Maria de Cós

Outras Designações

Mosteiro de Santa Maria de Cós

Categoria / Tipologia

Arquitectura Religiosa / Igreja

Inventário Temático

-

Localização

Divisão Administrativa

Leiria / Alcobaça / Coz, Alpedriz e Montes

Endereço / Local

-- ?
Lugar de Cós
2460 Alcobaça

Proteção

Situação Actual

Classificado

Categoria de Protecção

Classificado como IIP - Imóvel de Interesse Público

Cronologia

Decreto n.º 35 443, DG, I Série, n.º 1, de 2-01-1946 (ver Decreto)

ZEP

-

Zona "non aedificandi"

-

Abrangido em ZEP ou ZP

Abrangido por outra classificação

Património Mundial

-

Descrições

Nota Histórico-Artistica

Do antigo convento de Santa Maria de Cós, situado nos Coutos de Alcobaça, resta, actualmente, pouco mais do que a igreja. As origens desta casa conventual são bastante remotas, situando-se no século XIII. Permanecem, no entanto, algumas dúvidas sobre a fundação que, segundo alguns historiadores, ocorreu em 1279, por iniciativa do abade alcobacense D. Fernando, em cumprimento de uma vontade expressa no testamento de D. Sancho I. Por outro lado, há relatos de que as primeiras religiosas seriam mulheres devotas que asseguravam o bom funcionamento da abadia de Alcobaça. A realidade é que, em meados de Duzentos, eram uma comunidade organizada, "com quadros orgânicos administrativos claramente documentados em Trezentos e Quatrocentos, testemunhando isso uma vida religiosa explícita" (SOUSA; GOMES, 1998, p. 66).
Ao que tudo indica, apenas em 1532 abraçaram a regra de Cister (COCHERIL, 1986, p. 341). O edifício conventual acompanhou, naturalmente, o processo de integração das religiosas, devendo-se o início da sua construção, nas primeiras décadas do século XVI (1519-27), ao Cardeal D. Afonso (onde interveio João de Castilho), e a conclusão ao cardeal D. Henrique (1560-62), este último responsável pelo dormitório, pelo claustro velho, e pela igreja (a sul da igreja nova, que corresponde à capela de Nossa Senhora do Carmo) (COCHERIL, 1986, p. 343). Na segunda metade do século XVII, foi objecto de nova campanha de obras, e em 1669 iniciava-se a cabeceira da nova igreja. Em 1671 construiu-se o novo claustro, finalizou-se a cobertura da nave e o portal, onde esta data se inscreve. Nos anos seguintes, e até cerca de 1716, concluiu-se o processo decorativo, que dotou a igreja e seus anexos de altares de talha dourada, revestimentos azulejares e pinturas diversas, convergindo, todos estes elementos, para uma actualização estética barroca.
A igreja, que exteriormente denota uma forte austeridade, apresenta planta de nave única que se articula com o coro, e com a capela-mor, esta mais alta. No coro, destaca-se a porta manuelina, constituindo, muito possivelmente, uma memória da intervenção quinhentista, sob a orientação de João de Castilho (SOUSA; GOMES, 1998, p. 96). O cadeiral, de talha, foi executado entre o final do século XVII e o início da centúria seguinte (TRINDADE, 1978, p. 430).
Entre as restantes obras, ganha especial importância o retábulo da capela-mor, em estilo nacional, executado pelo entalhador Domingos Lopes, de Lisboa, de acordo com o contrato de 9 de Março de 1676 (SOUSA, 1998, p. 151).
O tecto em caixotões, que cobre a nave, o coro, a sacristia e o vestíbulo foi executado pelo pintor Pedro Peixoto (natural de Braga e residente em Peniche), em data próxima de 1715, pois é deste ano o contrato para a obra do coro, que estipula também o programa iconográfico definido pelo religioso de S. Bernardo Frei Luís. Assim, os 80 caixotões convergem, através da representações de santos, de símbolos alegóricos (envoltos por brutescos), e da Virgem, para a exaltação da Ordem de Cister (COCHERIL, 1986, pp. 349-355; SERRÃO, 2000, p. 139).
Por fim, os azulejos ornamentais distribuem-se pelo corpo da igreja e pelo coro, este último datado de 1716, e apresentando um padrão fora do comum, que conjuga uma estrela de cinco pontas com ramagens (SIMÕES, 1979, pp. 161-162). O conjunto mais significativo é o da sacristia, onde se encontram dez painéis alusivos à vida de São Bernardo. Atribuídos a Teotónio dos Santos (c. 1516) (MECO, 1986), a sua fonte iconográfica é a obra "Vita et Miracula D. Bernardi Clarevalensis Abbatis", de Antonio Tempesti, impressa em Roma no ano de 1587. Da sua leitura ressalta a preocupação com a simetria e a existência de cinco pares de painéis, evocativos da experiência mística e milagrosa, tão cara ao barroco (PAIS, 1995-99).
Uma última referência para as empreitadas de Josefa de Óbidos, que trabalhou para Cós em 1669 e 1676, realizando algumas pinturas, hoje dispersas.
(RCarvalho)

Imagens

Bibliografia

Título

"A Obra Silvestre e a Esfera do Rei"

Local

Coimbra

Data

1990

Autor(es)

PEREIRA, Paulo

Título

"Azulejaria em Portugal no século XVIII"

Local

Lisboa

Data

1979

Autor(es)

SIMÕES, J. M. dos Santos

Título

"Les azulejos de l'abbaye cistercienne de Cós, en Estremadura, separata dos Arquivos do Centro Cultural Português"

Local

Paris

Data

1974

Autor(es)

COCHERIL, Maur

Título

""A imagem de S. Bernardo em azulejo do Mosteiro de Santa Maria de Cós", Azulejo, n.º 3/7"

Local

Lisboa

Data

1999

Autor(es)

PAIS, Alexandre Nobre

Título

""O sentido da decoração no painel do cadeiral de Cós", Actas do Congresso Internacional para a Investigação e Defesa do Património"

Local

Alcobaça

Data

1978

Autor(es)

TRINDADE, Maria Augusta

Título

""Pintura maneirista e barroca na região dos Coutos de Alcobaça, 1538-1750". Arte e Arquitectura nas Abadias Cistercienses nos séculos XVI, XVII e XVIII (Actas), pp. 121-144"

Local

Lisboa

Data

2000

Autor(es)

SERRÃO, Vítor

Título

"Routier des abbayes cisterciennes du Portugal"

Local

Paris

Data

1986

Autor(es)

COCHERIL, Maur

Título

"O Azulejo em Portugal"

Local

Lisboa

Data

1989

Autor(es)

MECO, José

Título

"Inventário Artístico de Portugal, vol. V (Distrito de Leiria)"

Local

Lisboa

Data

1955

Autor(es)

SEQUEIRA, Gustavo de Matos

Título

"Intimidade e Encanto. O Mosteiro Cisterciense de Santa Maria de Cós (Alcobaça)"

Local

Lisboa

Data

1998

Autor(es)

GOMES, Saul António, SOUSA, Cristina Maria André de Pina e Sousa

Título

"Mosteiro de Santa Maria de Cós (Alcobaça). Contributos para a sua conservação e valorização"

Local

Leiria

Data

2011

Autor(es)

MARTINHO, Ana Margarida Louro