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Sé Catedral de Faro - detalhe

Designação

Designação

Sé Catedral de Faro

Outras Designações

Igreja de Santa Maria

Categoria / Tipologia

Arquitectura Religiosa / Templo

Inventário Temático

-

Localização

Divisão Administrativa

Faro / Faro / Faro (Sé e São Pedro)

Endereço / Local

Praça D. Afonso III
Faro

Número de Polícia: 50, 52, 54, 56

Rua do Trem
Faro

Número de Polícia: 20

Largo da Sé
Faro

Proteção

Situação Actual

Classificado

Categoria de Protecção

Classificado como IIP - Imóvel de Interesse Público

Cronologia

Decreto n.º 40 361, DG, I Série, n.º 228, de 20-10-1955 (ver Decreto)

ZEP

Proposta de 15-11-2010 da DRCAlgarve para alargamento da ZEP do Património Classificado do Núcleo Histórico de Faro Vila Adentro
Parecer de 23-05-2008 do Conselho Consultivo do IGESPAR, I.P.
Proposta de 05-12-2007 da DRCAlgarve para uma ZEP conjunta do Núcleo Histórico de Faro, abrangendo este imóvel

Zona "non aedificandi"

-

Abrangido em ZEP ou ZP

Abrangido por outra classificação

Património Mundial

-

Descrições

Nota Histórico-Artistica

O local onde se implanta a actual Sé de Faro parece ter uma longa história de sacralidade, apesar de não existir qualquer comprovação arqueológica. De acordo com a tradição, aqui se estabeleceu a primitiva basílica paleocristã, depois transformada em mesquita e, finalmente, convertida em igreja cristã após a conquista da cidade por D. Afonso III (LOPES, 1848, p.343).
As origens do actual templo identificam-se nos meados do século XIII. Conquistada a cidade em 1249, ter-se-á iniciado a construção de uma igreja matriz. De acordo com um documento revelado por Alberto Feio, em 1251 o arcebispo de Braga, D. João Viegas, encarregou dois dominicanos (Pelágio e Pedro) de edificarem a igreja de Santa Maria de Faro (FEIO, 1951), o que parece veio a acontecer. No entanto, tal edifício, que alguns autores sugerem ter sido concluído por 1271 (ROSA, 1984, p.16; PAULA, 1993), "deve ter sido exíguo" (LAMEIRA, 1999, p.28) e, no reinado de D. Dinis, o monarca determinou a venda de um imóvel nas imediações do templo, para que este pudesse ser ampliado (MASCARENHAS, 1974). Dessa intervenção dionisina, que presumivelmente privilegiou um plano tripartido de cariz paroquial (semelhante ao de São Clemente de Loulé, Santa Maria de Tavira e tantos outros templos construídos um pouco por todo o país), nada sabemos, uma vez que, na viragem para o século XIV, nova campanha de obras reformulou radicalmente o edifício.
Data, assim, do século XV o essencial da obra que chegou até nós. Ela foi grandemente transformada na Idade Moderna, mas mantém ainda alguns elementos fundamentais do figurino gótico então conseguido. A torre quadrangular, que se adossa à fachada principal, é o mais eloquente testemunho da obra quatrocentista, impondo-se cenograficamente no amplo adro catedralício. Antecedida por escadaria, possui dois pisos, sendo o primeiro ocupado por um narthex de acesso ao interior do templo e o segundo por uma dependência, amplamente iluminada que, na época moderna, tinha comunicação com o coro-alto. O narthex tem entradas em cada face, através de arcos triplos de perfil quebrado, com impostas marcadas, mas sem colunas e capitéis.
O portal axial da igreja é mais cuidado, parecendo repetir os típicos portais góticos inseridos em gabletes, aqui interrompido pela abóbada de cruzaria que cobre o narthex: de três arquivoltas (a exterior decorada com um friso de estrelas de quatro pontas), os seus capitéis denunciam bem o marco artístico em que a obra foi realizada, assemelhando-se esteticamente ao grande estaleiro da Batalha (LAMEIRA, 1999, p.29), pela flora tendencialmente organizada em dois andares e o contorno fino do colarinho.
No interior, restam duas capelas góticas, colocadas nas extremidades do transepto. De planta poligonal, foram transformadas na época moderna, mas conservam ainda os contrafortes escalonados originais e as janelas de duplo lume, cujos capitéis repetem igualmente uma organização a dois andares de cariz batalhino.
Em 1540, por ordem de D. João III, Faro tornou-se sede da diocese algarvia, determinação que, conjugada com o violento incêndio de 1596 causado pelo ataque de piratas ingleses, originou as grandes obras dos períodos maneirista e barroco. O interior foi radicalmente transformado, primeiro o corpo - cujas arcarias passaram de apontadas a arco redondo, por meio de colunas toscanas, de acordo com um figurino chão (LAMEIRA, 1999, p.45) -, e depois a capela-mor - de planta rectangular e coberta por caixotões, antecedida por arco triunfal com arquitrave e friso, e com brasão axial alusivo ao bispo D. Francisco Barreto (1636-1649) (IDEM, p.52).
Terminadas as obras de arquitectura, o barroco actuou preferencialmente sobre a decoração aplicada, salientando-se os retábulos do Santíssimo Sacramento (a partir de 1676), do Santo Lenho (inícios do século XVIII), da Capela de Nossa Senhora dos Prazeres, entre muitas outras realizações de imaginária, azulejaria, organística, etc.
PAF

Imagens

Bibliografia

Título

"A talha no Algarve durante o Antigo Regime"

Local

Faro

Data

2000

Autor(es)

LAMEIRA, Francisco

Título

"A arte organística em Portugal (vol. I e II)"

Local

Braga

Data

1990

Autor(es)

VALENÇA, Pe. Manuel

Título

"Corografia ou memoria economica, estadistica, e topografica do reino do Algarve"

Local

Lisboa

Data

1841

Autor(es)

LOPES, João Baptista da Silva

Título

"Faro. Edificações Notáveis."

Local

Faro

Data

1995

Autor(es)

LAMEIRA, Francisco

Título

"A arquitectura gótica portuguesa"

Local

Lisboa

Data

1994

Autor(es)

DIAS, Pedro

Título

"Manuelino. À descoberta da arte do tempo de D. Manuel I"

Local

Lisboa

Data

2002

Autor(es)

DIAS, Pedro

Título

"Monumentos e edifícios notáveis do concelho de Faro"

Local

Faro

Data

1984

Autor(es)

ROSA, José António Pinheiro e

Título

"Faro. A arte na história da cidade"

Local

Faro

Data

1999

Autor(es)

LAMEIRA, Francisco

Título

"História da Arte em Portugal, vol. IV (O Gótico)"

Local

Lisboa

Data

1986

Autor(es)

DIAS, Pedro

Título

""A primeira igreja e o primeiro reitor de Faro", Correio do Sul, 10 de Março"

Local

-

Data

1951

Autor(es)

FEIO, Alberto

Título

""Algumas doações de D. Dinis em Faro e seu termo", Anais do Município de Faro, nº4"

Local

Faro

Data

1974

Autor(es)

MASCARENHAS, José Fernandes

Título

""O maior entalhador e escultor setecentista algarvio: Manuel Martins", I Congresso Internacional do Barroco"

Local

Porto

Data

1991

Autor(es)

LAMEIRA, Francisco

Título

"Visitação de igrejas algarvias da Ordem de S. Tiago"

Local

Faro

Data

1988

Autor(es)

LAMEIRA, Francisco, SANTOS, Maria Helena Rodrigues dos

Título

"Faro, evolução urbana e património"

Local

Faro

Data

1993

Autor(es)

PAULA, Rui Mendes, PAULA, Frederico Mendes

Título

""A Catedral do Algarve e o seu cabido", Anais do Município de Faro, nº12"

Local

Faro

Data

1984

Autor(es)

ROSA, José António Pinheiro e

Título

"A igreja da Sé. Faro. Portugal, desdobrável"

Local

Faro

Data

-

Autor(es)

LAMEIRA, Francisco