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Estação lusitana-romana dos Casais Velhos ou conjunto de ruínas dos Casais Velhos - detalhe

Designação

Designação

Estação lusitana-romana dos Casais Velhos ou conjunto de ruínas dos Casais Velhos

Outras Designações

Ruínas dos Casais Velhos

Categoria / Tipologia

Arqueologia / Estação Arqueológica

Inventário Temático

-

Localização

Divisão Administrativa

Lisboa / Cascais / Cascais e Estoril

Endereço / Local

Rua de São Rafael
Lugar de Areia
2750 Cascais

Proteção

Situação Actual

Classificado

Categoria de Protecção

Classificado como IIP - Imóvel de Interesse Público

Cronologia

Decreto n.º 29/84, DR, I Série, n.º 145, de 25-06-1984 (ver Decreto)

ZEP

-

Zona "non aedificandi"

-

Abrangido em ZEP ou ZP

Abrangido por outra classificação

Património Mundial

-

Descrições

Nota Histórico-Artistica

O actual município de Cascais tem proporcionado aos investigadores na área inúmeros testemunhos arqueológicos reveladores da presença de uma actuante ocupação humana ao longo de vários milénios. Terá sido, no entanto, durante o período romano que o seu território foi mais explorado, como parecem atestar os vários exemplares industriais identificados até ao momento, a par das uillas que, nalguns casos, se têm revelado fundamentais para um melhor entendimento da sua orgânica, sobretudo quando comparadas aos restantes modelos entretanto escavados em solo português. Evidência esta, que poderá ser facilmente explicada quando analisada à luz da relativa proximidade que manteriam com a grande urbe de Olisipo.
Localizada num outeiro sobranceiro às dunas do Guincho, envolta em pinhais, o povoado vulgarmente conhecido por "Casais Velhos" - que alguns autores têm alguma relutância em denominar de uilla (CARDOSO, G., ENCARNAÇÃO, J. d': 1995, p. 54) - já era conhecida há algum tempo, quando os investigadores Afonso do Paço (1895-1968) e Fausto de Figueiredo iniciaram os primeiros trabalhos de escavação, já durante a primeira metade do século XX, colocando a descoberto alguns vestígios estruturais relativos a edifícios e a um cemitério. Mas apesar desta primeira iniciativa, coube a António de Castelo Branco e a Octávio Reinaldo da Veiga Ferreira (1917-1997) a tarefa de, entre 1968 e 1971, escavar um aqueduto, através do qual se recebia a água proveniente de uma nascente localizada nas proximidades do arqueosítio, bem como um reservatório e a zona termal.
A par da domus com vestíbulo, a pars urbana desta uilla era constituída pelo característico complexo termal composto do frigidarium (para o banho frio), de uma sala tépida de transição e do praefurnium, destinado ao aquecimento do ar que circulava sob o pavimento e da própria água dos tanques, de configuração semicircular. Além disso, foi identificado um tanque de grandes dimensões, possivelmente o natatio, tradicionalmente rasgado a céu aberto. Das estruturas que integravam originalmente a pars rustica, foi possível identificar dois silos tapados com lajes circulares e escavados na própria rocha aí existente. Mas terá sido a descoberta de dois compartimentos com pequenas tinas revestidas a opus signinum com encaixe para tampa hermética, aliada ao achamento de uma considerável quantidade de conchas de múrex, que levou alguns especialistas a considerarem a hipótese de os habitantes da uilla se dedicarem de igual modo à indústria da tinturaria, através da produção de púrpura (e estarmos, por conseguinte, perante uma purpuretica), destinada a Roma, aonde chegava através do porto de Olisipo.
Haverá ainda que salientar a existência de vestígios de um muralhado e de um torreão, a testemunhar, no fundo, a fortificação do sítio na Antiguidade. E tal como sucedia nas demais uillae, também a de "Casais Velhos" possuía uma necrópole, com sepulturas do tipo "caixa", delimitadas por esteios afeiçoados em calcário, e com os corpos depositados em decubito dorsal, voltados para Nascente. A escavação destes sepulcros permitiu recolher um vasto espólio associado constituído por recipientes cerâmicos, jóias, armas e moedas, estas últimas atribuídas aos imperadores Flávio Júlio Constâncio II (317-361), Constante (?-350), Teodósio I, o Grande ( Flavius Theodosius) (c. 346-395), Constantino I, o Magno (c. 271-337) e Arcádio (c. 377-408), a sugerir, no fundo, uma ocupação mais duradoura do arqueosítio já no fim do Império Romano do Ocidente.
[AMartins]

Imagens

Bibliografia

Título

"Notas sobre alguns vestígios romanos no concelho de Cascais."

Local

-

Data

-

Autor(es)

ENCARNAÇÃO, José d'

Título

"Cascais no tempo dos Romanos"

Local

Cascais

Data

1986

Autor(es)

CARDOSO, Guilherme, ENCARNAÇÃO, José d'

Título

""Cascais no tempo dos romanos", Revista de Arqueologia"

Local

Lisboa

Data

1990

Autor(es)

CARDOSO, Guilherme, ENCARNAÇÃO, José d'

Título

"A indústria romana de transformação e conserva de peixe, em Olisipo. Núcleo arqueológico da Rua dos Correeiros"

Local

Lisboa

Data

2001

Autor(es)

BUGALHÃO, Jacinta

Título

""Vestígios romanos de los «Casais Velhos» (Areia, Cascais)", Actas del 1º Congreso Nacional de Arqueologia e 5º Congreso Arqueologico del Sudeste Espanhol - Alméria 1949"

Local

Cartagena

Data

1950

Autor(es)

FIGUEIREDO, Fausto J. A. de, PAÇO, Manuel Afonso do

Título

""Novos trabalhos na estação lusitano-romana da Areia (Guincho)", Boletim do Museu Biblioteca dos Condes de Castro Guimarães"

Local

Cascais

Data

1971

Autor(es)

FERREIRA, Octávio da Veiga, CASTELO BRANCO, António de

Título

""Ruínas romanas. Casais Velhos", Associação Cultural de Cascais"

Local

Cascais1989

Data

-

Autor(es)

CARDOSO, Guilherme, ENCARNAÇÃO, José d'

Título

""O povoado romano dos Casais Velhos", Associação Cultural de Cascais"

Local

Cascais

Data

1987

Autor(es)

CARDOSO, Guilherme, ENCARNAÇÃO, José d'

Título

""100 Anos de investigação arqueológica no concelho de Cascais", Arquivo de Cascais"

Local

Cascais

Data

1987

Autor(es)

FABIÃO, Carlos Jorge Soares