Santuário de Nossa Senhora do Castelo, incluindo a Casa do Ermitão, escadório e capelas anexas - detalhe

Designação

Designação

Santuário de Nossa Senhora do Castelo, incluindo a Casa do Ermitão, escadório e capelas anexas

Outras Designações

-

Categoria / Tipologia

Arquitectura Religiosa / Capela

Inventário Temático

-

Localização

Divisão Administrativa

Viseu / Mangualde / Mangualde, Mesquitela e Cunha Alta

Endereço / Local

-- Monte de Nossa Senhora do Castelo
Mangualde

Proteção

Situação Actual

Classificado

Categoria de Protecção

Classificado como MIP - Monumento de Interesse Público

Cronologia

Portaria n.º 271/2013, DR, 2.ª série, n.º 91, de 13-05-2013 (ver Portaria)
Procedimento prorrogado até 30 de junho de 2013 pelo Decreto-Lei n.º 265/2012, DR, 1.ª série, n.º 251, de 28-12-2012 (ver Decreto )
Anúncio n.º 13692/2012, DR, 2.ª série, n.º 220, de 14-11-2012 (ver Anúncio)
Procedimento prorrogado pelo Decreto-Lei n.º 115/2011, DR, 1.ª série, n.º 232, de 5-12-2011 (ver Diploma)
Parecer de 23-11-2011 da SPAA do Conselho Nacional de Cultura a propor a classificação como MIP
Proposta de 30-09-2011 da DRCCentro para a classificação como CIP
Procedimento prorrogado pelo Despacho n.º 19338/2010, DR, 2.ª série, n.º 252, de 30 de Dezembro (ver Despacho)
Despacho de abertura de 7-09-2004 do Presidente do IPPAR
Proposta de abertura de 13-08-2004 da DRCoimbra
Proposta de 9-06-2004 da Associação Cultural de Azurara da Beira para a classificação do Conjunto do Santuário da Senhora do Castelo
Proposta de 16-05-1978 da CM de Mangualde para a classificação da Ermida da Senhora do Castelo

ZEP

Portaria n.º 271/2013, DR, 2.ª série, n.º 91, de 13-05-2013 (ver Portaria)
Anúncio n.º 13692/2012, DR, 2.ª série, n.º 220, de 14-11-2012 (ver Anúncio)
Parecer favorável de 23-11-2011 da SPAA do Conselho Nacional de Cultura
Proposta de 30-09-2011 da DRCCentro

Zona "non aedificandi"

-

Abrangido em ZEP ou ZP

Sim

Abrangido por outra classificação

Não

Património Mundial

-

Descrições

Nota Histórico-Artistica

O santuário de Nossa Senhora do Castelo resulta de várias campanhas de obras que, ao longo dos séculos, foram definindo o espaço circundante e o templo, muito embora o que hoje observamos remonte ao século XVIII e XIX. Na realidade, nada resta das intervenções anteriores, cuja origem parece recuar a épocas anteriores à nacionalidade, conforme defendem alguns autores e as muitas lendas que se foram avolumando em torno da devoção a Nossa Senhora (ALVES, 1989).
Em todo o caso, é comumente aceite que a primeira edificação tenha ocorrido no último quartel do século XIV, muito possivelmente relacionada com a batalha de Trancoso, ocorrida a 19 de Maio de 1385. Nesta medida, a ermida teria sido construída como um ex-voto pelos habitantes de Viseu (ALVES, 1989, p. 10), situando-se no local onde se ergueu, depois, a casa do Ermitão. Desta edificação, subsiste, apenas, parte do revestimento azulejar, de tapete, em tons de amarelo e azul, posteriormente aplicado no rodapé da Sala das Sessões (situada no eixo da capela-mor).
Nova intervenção, com certeza de âmbito bastante alargado (algumas referência aludem ao estado de ruína da capela), aconteceu na segunda metade do século XVII. Mas foi na centúria seguinte que se começou a delinear o escadório, que se conserva apenas com algumas alterações ao número de degraus. De facto, em 1750 começaram as obras neste espaço, juntamente com as capelinhas, todas elas obedecendo a um mesmo modelo, com azulejos no interior, ilustrativos da invocação de cada uma - Nossa Senhora da Conceição, Senhora da Encarnação, Nossa Senhora da Visitação e Nossa Senhora da Assunção. Desta época resta ainda um templete e a "fonte do caracol".
Com as Invasões Francesas e o saque consequente, foram suspensas as celebrações litúrgicas, e as obras para a construção do novo templo começaram em 1819, graças ao empenho de Miguel Pais de Sá Meneses, a expensas de quem a igreja foi erguida.
As obras prolongaram-se durante cerca de 58 anos, encontrando-se devidamente documentadas em dois códices pertencentes à Casa Anadia e num Livro de Contas da Santa Casa da Misericórdia, administradora do santuário. Estes dados foram divulgados por Alexandre Alves, que numa monografia dedicada ao santuário, refere os artistas que aqui trabalharam e as obras por eles executadas (ALVES, 1989). Ao mesmo tempo que exalta a importância de Miguel Pais e da família Pais do Amaral, Condes de Anadia, que dispunham de tribuna própria para assistir ás celebrações no interior do templo.
Neste contexto, o santuário que hoje observamos é, em grande medida, devedor dos santuários de peregrinação barrocos, ainda que numa escala bem mais reduzida e, como se adivinha pela invocação das capelas, afastada da ligação entre o percurso e a Paixão de Cristo. A fachada apresenta uma composição de grande interesse, dividida em três secções verticais entre as quais se destaca a central, por incluir o portal, a que se sobrepõe o janelão de iluminação do coro. Num plano um pouco mais recuado, ergue-se a torre ameada, de grande dimensão. No interior, os altares são de talha neoclássica, embora ainda de estrutura barroca, onde se observa a influência do italiano Luís Chiari (o que volta a acontecer na composição da cobertura em estuque do templo). No principal exibe-se a imagem de Nossa Senhora com o Menino, bem como São Miguel Arcanjo e São José com o Menino (santos patronos de José e Miguel Pais). Os restantes são dedicados aos pais da Virgem, Santa Ana e São Joaquim.
Uma última referência para as diferentes alusões à Ordem de Malta, justificáveis se tomarmos em consideração que Miguel Pais de Meneses foi seu Comendador. Note-se ainda que este, e alguns dos seus descendentes, estão sepultados em lápides no corpo da igreja.
(Rosário Carvalho)

Imagens

Bibliografia

Título

"Concelho de Mangualde. Antigo concelho de Azurara da Beira"

Local

Porto

Data

1978

Autor(es)

SILVA, Valentim da

Título

"O Santuário de Nossa Senhora do Castelo em Mangualde"

Local

Mangualde

Data

1989

Autor(es)

ALVES, Alexandre