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Sé de Portalegre - detalhe

Designação

Designação

Sé de Portalegre

Outras Designações

Catedral de Portalegre

Categoria / Tipologia

Arquitectura Religiosa / Sé, Catedral

Inventário Temático

-

Localização

Divisão Administrativa

Portalegre / Portalegre / Sé e São Lourenço

Endereço / Local

Praça do Município
Portalegre
7300 Portalegre

Proteção

Situação Actual

Classificado

Categoria de Protecção

Classificado como MN - Monumento Nacional

Cronologia

Decreto de 16-06-1910, DG n.º 136, de 23-06-1910 (ver Decreto)

ZEP

-

Zona "non aedificandi"

-

Abrangido em ZEP ou ZP

Abrangido por outra classificação

Património Mundial

-

Descrições

Nota Histórico-Artistica

O bispado de Portalegre foi criado em 1550 por bula do Papa Júlio III, sendo esta uma das três novas dioceses criadas no reinado de D. João III. O primeiro prelado a ser nomeado para o cargo de bispo da nova diocese foi D. Julião de Alva, confessor da rainha D. Catarina. Nos primeiros anos a sede de bispado ficaria instalada na Igreja de Santa Maria do Castelo, uma vez que as obras da nova catedral iniciavam-se só em 1556. Até ao final da centúria as obras de edificação iriam continuar, tendo sido o terceiro bispo da diocese, Frei Amador Arrais, doutor em Teologia e um dos humanistas do círculo do Cardeal D. Henrique, quem procedeu à colocação do pavimento do templo e à construção do paço episcopal, tendo patrocinado a pintura de grande parte dos retábulos maneiristas colocados nas capelas da igreja. A edificação foi concluída já no início do século XVII. Na centúria seguinte o edifício foi acrescentado e modificado, tendo sido edificado o claustro no ano de 1720.
Embora se denotem diversas alterações estruturais derivadas das campanhas barrocas, a tipologia original da Sé de Portalegre insere-se no conjunto de igrejas-salão construídas por todo o reino a partir da década de 50 do século XVI, baseadas no figurino manuelino mas recorrendo a novos elementos estruturais, e desenvolvendo uma linguagem despojada e austera, de características militares. A sua traça é atribuída ao arquitecto régio Miguel de Arruda, responsável pelas "mais importantes obras de iniciativa régia" durante o reinado de D. João III (MOREIRA, Rafael, 1995, p.357), ficando a direcção da fábrica de obras a cargo do mestre João Vaz.
A fachada da Sé apresenta-se definida por dois grandes torreões laterais, com o ritmo marcado pelos diversos contrafortes, revelando a formação militar do autor do projecto, ao mesmo tempo que conjuga os elementos barrocos da campanha de 1795, nomeadamente os portais, principal e laterais, e os diversos janelões que foram rasgados para permitirem a iluminação interior do templo.
Interiormente, a planta apresenta uma estrutura ampla, unitária, onde foram recriados elementos estruturais manuelinos, como a abóbada de nervuras - num modelo mais depurado - que estão integrados numa estrutura de suporte inspirada na tratadística clássica, de que são exemplo as colunas e os módulos das naves, originando uma morfologia que se mostrava mais adequada a "uma pretendida funcionalidade de espaços, muito ligada à reforma pastoral tridentina em curso" (SERRÃO, Vítor, 2002, p.189). Contrastando com a austeridade do espaço, o programa decorativo das abóbadas mostra-nos diversos motivos grotescos de feição maneirista, cartelas, mascarões, florões, seres híbridos, certamente inspirados nos gravados flamengos que na época circulavam por toda a Europa.
Destacam-se ainda os vários conjuntos retabulares, com telas maneiristas provenientes de oficinas lisboetas. Na capela-mor, inseridas num magnífico retábulo executado por Gaspar Coelho, foram colocadas telas da autoria de Fernão Gomes e Simão Rodrigues, com cenas da Vida de Cristo e da Virgem; assim, no primeiro registo foram colocadas a "Anunciação" e a "Adoração dos Pastores", no segundo a "Adoração dos Magos", "Repouso na fuga para o Egipto" e o "Menino entre os Doutores", no terceiro, a "Ressurreição", a "Assunção da Virgem" e o "Pentecostes". A representação da "Transfiguração de Cristo" remata o conjunto. De cada um dos lados da igreja foram abertas quatro capelas; do lado do Evangelho, são dedicadas a Santa Catarina, São Crispim e São Crispiano, Nossa Senhora de Lourdes (antiga capela de Nossa Senhora da Luz), e Nossa Senhora do Carmo, estando esta decorada com telas da autoria de Luis de Morales, El Divino. Do lado da Epístola, são da invocação das Chagas, Santa Maria Maior, Nossa Senhora do Rosário e Santo Amaro. As capelas colaterais são dedicadas a São Pedro e ao Santíssimo, possuindo esta uma pintura do Calvário, da oficina de Diogo Teixeira.
Catarina Oliveira

Imagens

Bibliografia

Título

"Cidades e Vilas de Portugal - Portalegre"

Local

Lisboa

Data

1988

Autor(es)

PEREIRA, Paulo, RODRIGUES, Jorge

Título

"Inventário Artístico de Portugal - vol. I (Distrito de Portalegre)"

Local

Lisboa

Data

1943

Autor(es)

KEIL, Luís

Título

"Portalegre, Fundação da Cidade e do Bispado, levantamento e progresso da catedral"

Local

Lisboa

Data

2002

Autor(es)

PATRÃO, José Dias Heitor

Título

""Pinturas "reencontradas" da Sé de Portalegre Retábulo de Santa Catarina de Sena e Co-Titulares", A Cidade Revista Cultural de Portalegre"

Local

Lisboa

Data

1998

Autor(es)

PATRÃO, José Dias Heitor

Título

""A actividade do pintor Luís de Morales. El Divino em Elvas e Portalegre (1576-1585)", A Cidade Revista Cultural de Portalegre"

Local

-

Data

1998

Autor(es)

SERRÃO, Vítor

Título

""Uma obra do escultor Gaspar Coelho - o retábulo-mor da Sé de Portalegre", A Cidade Revista Cultural de Portalegre"

Local

-

Data

1998

Autor(es)

GONÇALVES, Carla Alexandra