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Igreja de São Miguel do Castelo - detalhe

Designação

Designação

Igreja de São Miguel do Castelo

Outras Designações

Capela de São Miguel

Categoria / Tipologia

Arquitectura Religiosa / Igreja

Inventário Temático

-

Localização

Divisão Administrativa

Braga / Guimarães / Oliveira, São Paio e São Sebastião

Endereço / Local

Monte Latito ou Falperra
Guimarães
4800 Guimarães

Proteção

Situação Actual

Classificado

Categoria de Protecção

Classificado como MN - Monumento Nacional

Cronologia

Decreto de 16-06-1910, DG n.º 136, de 23-06-1910 (ver Decreto)

ZEP

Portaria publicada no DG, II Série, n.º 170, de 23-07-1955
DG, II Série, n.º 103, de 30-04-1952

Zona "non aedificandi"

-

Abrangido em ZEP ou ZP

Abrangido por outra classificação

Património Mundial

-

Descrições

Nota Histórico-Artistica

Uma corrente historiográfica nacionalista, e que ideologicamente prolongou o Romantismo do século XIX, perpetuou a lenda de que foi nesta capela de São Miguel do Castelo que teve lugar o baptismo de D. Afonso Henriques. Esta perspectiva visava relacionar directamente o monumento com um facto histórico, tão ao gosto de uma visão politicamente comprometida, em que as obras de arte apareciam como cenário da História. Esta mesma lenda, ao exaltar a ancestralidade da igreja, recuava também a datação do templo que actualmente subsiste. Por esta via, a tardo-românica capela de São Miguel teria feito parte do primitivo complexo palatino de D. Mumadona Dias, na viragem do século IX para o X, e teria permanecido como principal templo da Guimarães condal, ao tempo de D. Henrique e de D. Teresa.
Afastada esta linha de interpretação, a actual igreja de São Miguel do Castelo é um edifício do século XIII, construído durante as primeiras três décadas desta centúria e em condições particularmente difíceis para os seus promotores. Longe de qualquer época de pretenso esplendor condal, a sua edificação aconteceu por iniciativa da Colegiada de Guimarães, aquando da querela que colocou frente a frente esta instituição e o poderoso Arcebispo de Braga, contencioso que levou mesmo ao confronto armado entre as duas partes (GRAF, 1986, vol. I, p.157). A construção da igreja justificou-se pela necessidade da Colegiada em dispor de um templo, decisão que escapou à autoridade do titular de Braga.
Estilisticamente, o edifício parece confirmar esse estatuto secundário. Manuel Monteiro, um dos nossos principais estudiosos da Arte Românica, ao realçar a simplicidade da capela, concluiu que se trataria de uma construção, em certa medida, ilegal. Aparelho de silhares pouco cuidados, quase total ausência de decoração, aspecto demasiado compacto dos muros, iluminação escassa, proporcionada por estreitas frestas, e planta muito simples, composta unicamente por nave única e capela-mor justaposta, são indicadores desse carácter ilegal, à margem da acção promotora e normalizadora do arcebispado de Braga.
Tal facto, contudo, não impediu que o templo tenha sido sagrado pelo próprio Arcebispo, em 1239, data que evidencia o seu avançado estádio estilístico, numa altura em que o Gótico começava a despontar por todo o país e em que o Românico se preparava para ser uma linguagem artística de resistência, cantonada, preferencialmente, nas regiões do Interior Norte.
Em ruína quase total na década de 70 do século XIX, uma comissão de habitantes notáveis de Guimarães, reunidos em torno da Sociedade Martins Sarmento, procedeu a uma acção de restauro, que manteve as características essenciais que a igreja adquiriu ao longo da época moderna. Já no século XX, a DGEMN empreendeu aqui uma das suas primeiras acções de restauro, de acordo com as teorias de unidade de estilo então em voga. Todas os elementos não-medievais da igreja foram suprimidos, especialmente os altares barrocos da nave. De entre as numerosas obras então efectuadas, salienta-se ainda a supressão do campanário, o entaipamento de portas e de janelas aleatoriamente abertas no século XIX, ou a colocação dos modilhões que suportam o tímpano do portal principal.
Na actualidade, a capela de São Miguel integra-se num dos mais importantes conjuntos monumentais do país, no mesmo núcleo que o Castelo de Guimarães e o Paço dos Duques de Bragança, este último um Serviço Dependente do IPPAR responsável pela gestão de todo este complexo monumental.
PAF

Imagens

Bibliografia

Título

"Portugal roman, vol. I"

Local

-

Data

1986

Autor(es)

GRAF, Gerhard N.

Título

"História da Arte em Portugal - O Românico"

Local

Lisboa

Data

2001

Autor(es)

ALMEIDA, Carlos Alberto Ferreira de

Título

""O mundo românico (séculos XI-XIII)", História da Arte Portuguesa, vol.1, Lisboa, Círculo de Leitores, 1995, pp.180-331"

Local

Lisboa

Data

1995

Autor(es)

RODRIGUES, Jorge

Título

""Igreja de S. Miguel do Castelo de Guimarães" Sep. Rev. Guimarães, 76"

Local

Guimarães

Data

1996

Autor(es)

CARDOSO, Mário de Vasconcelos

Título

""Um percurso por Guimarães medieval no século XV", Patrimonia, nº1, 1996, pp.9-16"

Local

-

Data

1996

Autor(es)

FERREIRA, Maria da Conceição Falcão

Título

""Castelo de São Mamede e igreja de São Miguel do Castelo", Ilustração Moderna, nº25-26, Jul-Ago. 1928"

Local

Porto

Data

1928

Autor(es)

PINA, José Luís de

Título

"Mil anos a construir Portugal"

Local

Guimarães

Data

2000

Autor(es)

-

Título

""29. Cruz processional", ficha técnica de catálogo, Mil anos a construir Portugal, 2000, p.92"

Local

Guimarães

Data

2000

Autor(es)

BARROCA, Mário Jorge

Título

"História da Arte em Portugal, vol. 3 (o Românico)"

Local

Lisboa

Data

1986

Autor(es)

ALMEIDA, Carlos Alberto Ferreira de

Título

"Castelo de Guimarães e Igreja de São Miguel"

Local

Lisboa

Data

2003

Autor(es)

-

Título

"Igreja de São Miguel do Castelo, Boletim da DGEMN, nº 20"

Local

Lisboa

Data

1940

Autor(es)

-