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Castro de Vila Nova de São Pedro - detalhe

Designação

Designação

Castro de Vila Nova de São Pedro

Outras Designações

-

Categoria / Tipologia

Arqueologia / Castro

Inventário Temático

-

Localização

Divisão Administrativa

Lisboa / Azambuja / Vila Nova de São Pedro

Endereço / Local

Sítio do Castelo
Vila Nova de São Pedro (a c. de 1 km)
2050 Azambuja

Proteção

Situação Actual

Classificado

Categoria de Protecção

Classificado como MN - Monumento Nacional

Cronologia

Decreto n.º 516/71, DG, I Série, n.º 274, de 22-11-1971 (ver Decreto)

ZEP

-

Zona "non aedificandi"

-

Abrangido em ZEP ou ZP

Abrangido por outra classificação

Património Mundial

-

Descrições

Nota Histórico-Artistica

Inserido no movimento geral de proliferação de povoados fortificados de altura durante o Calcolítico Inicial, ou seja, entre 2700 / 2 500 e cerca de 2 300 a. C., e característicos da Estremadura portuguesa, é provável que tenha ocorrido uma ligação directa entre o crescimento e acumulação de excedentes da produtividade agrícola - à qual passaram a dedicar-se preferencialmente os seus ocupantes - e a necessidade de se erguer todo um complexo sistema defensivo.
Com efeito, o espólio imóvel exumado durante as diversas campanhas de escavação confirma o enraizamento desta actividade económica. Dele, salientamos a presença de moinhos manuais, machados, enxós, goivas e lâminas de sílex, para além das representativas amostras de trigo, cevada e leguminosas, sendo certo que o linho também era cultivado,. Facto este, que, por si só, atestará bem o desenvolvimento de uma outra actividade directamente relacionada com a prática agrícola - além de corroborar o elevado grau de sedentarismo destas populações -, ou seja, a têxtil, ademais confirmada pela descoberta de vários «pesos de tear» em cerâmica no interior do próprio povoado, como seria, aliás, de esperar.
A par da agricultura, a pastorícia ocupava um lugar central na vida quotidiana destes povoados fortificados, embora ainda perdurasem algumas das antigas práticas neolíticas, como a caça, a pesca e a recolecção.
Entre os inúmeros exemplares cerâmicos encontrados, não podemos deixar de mencionar o facto de serem os esféricos altos de bordo espessado e as taças em calote, além dos pratos (embora em menor percentagem) a apresentarem maior expressividade no seio das comuns. Ainda em relação a estes recipientes, verifica-se que cerca de 20% apresenta a superfície decorada com «caneluras» perfazendo linhas paralelas na zona do bordo seguidas de linhas oblíquas formando triângulos, losangos ou linhas quebradas verticais. Do grupo das peças cerâmicas há que destacar ainda o surgimento do denominado «copo», em cujas superfícies se aplicou uma aguada acastanhada, sendo decoradas com sulcos perfazendo diversas figuras geométricas.
Apesar de não ter sido totalmente desconhecida, os vestígios da metalurgia do cobre são bastante diminutos, embora tenham sido descobertas provas da sua actividade, como cadinhos e pingos de fundição. Além disso, foi também levantado um conjunto de artefactos, do qual fazem parte machados planos, punções, cinzéis, facas e serras. No entanto, parece ainda prevalecer toda uma tradição neolítica, patenteada, não apenas ao nível dos materais líticos, como nos casos das pontas de seta, de base côncava, com aletas e retocadas, bem como das lâminas ovóides ou subtrapezoidais retocadas, todas elas executadas em sílex. Para além destes, a presença de artefactos realizados em osso é de igual modo bastante expressiva. São disso exemplo os furadores, os cinzéis, os cabos de uttensílios e dos pequenos recipientes, lisos ou decorados, cuja utilização ainda não foi por completo apreendida.
A estrutura defensiva deste povoado, descoberto por Hipólito Raposo, que, juntamente a Eugène Jalhay, iniciou, em 1936, uma longa série de campanhas arqueológicas no sítio, sofreu, como é natrural, alterações ao longo da sua utilização. Foi já em pleno Calcolítico Pleno (entre c. de 2 300 e c. de 2 000 a. C.), que se assistiu ao reforço de todos os seus sistemas, derivação provável da própria estratégia de implantação do Castro, o qual, como a maioria dos edificados nesta altura, se encontrava próximo de abundantes recursos agrícolas e inserido naquilo que poderemos designar de eixos de intercâmbio de produtos necessários a actividades secundárias, como seria a própria metalurgia e a execução de objectos em materiais mais raros (casos do osso).
[AMartins]

Imagens

Bibliografia

Título

""Páleo e mesolítico português", Anais da Academia Portuguesa da História"

Local

Lisboa

Data

1941

Autor(es)

PAÇO, Manuel Afonso do, JALHAY, Eugene

Título

""Desestruturação e complexização: aspectos e problemas da 1ª Idade do Bronze na «Península de Lisboa»", Turres Veteras IV - Actas de Pré-história e História Antiga"

Local

Torres Vedras

Data

2002

Autor(es)

SENNA-MARTINEZ, João Carlos de

Título

""O "fenómeno" Campaniforme na Estremadura Portuguesa", Actas do 3º Congresso de Arqueologia Peninsular. Pré-História recente da Península Ibérica"

Local

Porto

Data

2000

Autor(es)

CARDOSO, João

Título

""A fortificação pré-histórica de Vila Nova de S. Pedro (Azambuja) - balanço de meio século de investigação - 2ª parte", Revista de Arqueologia da Assembleia Distrital de Lisboa"

Local

Lisboa

Data

1995

Autor(es)

ARNAUD, José Eduardo Morais, GONÇALVES, João Ludgero Marques

Título

""Escavações na fortificação da idade do cobre do Zambujal/Portugal 1970", O Arqueólogo Português"

Local

Lisboa

Data

1971

Autor(es)

SANGMEISTER, Edward, SCHUBART, Hermanfrid, TRINDADE, Leonel

Título

""A section through the innermost rampart at the chalcolithic castro of Vila Nova de S. Pedro", Actas das 1ªs Jornadas Arqueológicas"

Local

Lisboa

Data

1970

Autor(es)

SAVORY, H. N.

Título

""Três tipos de machados de bronze do Norte de Portugal e suas prováveis origens", Revista de Guimarães"

Local

Guimarães

Data

1968

Autor(es)

HARBINSON, Peter

Título

""Marcas de oleiro em território português", O Arqueólogo Português"

Local

Lisboa

Data

1969

Autor(es)

FERREIRA, Seomara da Veiga

Título

""O colar de conchas de "glycimeris" da Lapa do Suão (Bombarral)", Revista de Guimarães"

Local

Guimarães

Data

1968

Autor(es)

MONTEIRO, Jorge de Almeida, FERREIRA, Octávio da Veiga

Título

""Um esconderijo de fundidor encontrado no castro de S. Bernardo (Moura)", O Arqueólogo Português"

Local

Lisboa

Data

1971

Autor(es)

FERREIRA, Octávio da Veiga

Título

""O Castro da Pedra do Ouro (Alenquer)", O Arqueólogo Português"

Local

Lisboa

Data

1956

Autor(es)

BARBOSA, Ernâni

Título

""Os copos no povoado calcolítico de Vila Nova de São Pedro", Revista Portuguesa de Arqueologia"

Local

Lisboa

Data

2003

Autor(es)

FERREIRA, Sónia Duarte

Título

""300 Sítios arqueológicos visitáveis em Portugal", Al-madan"

Local

Almada

Data

2001

Autor(es)

RAPOSO, Jorge

Título

""O povoado fortificado Neo e Eneolítico do Penedo de Lexim (Mafra). Campanha preliminar de escavações - 1970", O Arqueólogo Português"

Local

Lisboa

Data

1971

Autor(es)

JORGE, Vítor de Oliveira, OLIVEIRA, Vasco Salgado de, ARNAUD, José Eduardo Morais