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Castelo de Marvão - detalhe

Designação

Designação

Castelo de Marvão

Outras Designações

-

Categoria / Tipologia

Arquitectura Militar / Castelo

Inventário Temático

-

Localização

Divisão Administrativa

Portalegre / Marvão / Santa Maria de Marvão

Endereço / Local

-- ?
Santa Maria de Marvão
0000 000 -

Proteção

Situação Actual

Classificado

Categoria de Protecção

Classificado como MN - Monumento Nacional

Cronologia

Decreto n.º 8 228, DG, I Série, n.º 133, de 4-07-1922 (ver Decreto)

ZEP

Portaria publicada no DG, n.º 116, de 16-05-1962
Portaria publicada no DG, II Série, n.º 246, de 21-10-1960

Zona "non aedificandi"

Portaria publicada no DG, n.º 116, de 16-05-1962
Portaria publicada no DG, II Série, n.º 246, de 21-10-1960

Abrangido em ZEP ou ZP

Abrangido por outra classificação

Património Mundial

-

Descrições

Nota Histórico-Artistica

Marvão deve o seu nome a Ibn Marwan, figura do Islão peninsular que, pelos anos finais do século IX, aqui se fortificou em discórdia face ao califa. É precisamente desse período que data a primeira referência ao povoado, constante da crónica de al-Rázi, escrita já no século X mas que conserva parcelas dedicadas aos tempos imediatamente anteriores. Aí se menciona que o Monte é conhecido como Amaia de Ibn Maruán, por oposição a outra Amaia, a das ruínas (SIDARUS, 1991, p.13), que deve ser a cidade romana com o mesmo nome, localizada no sopé do monte. Esta referência, que parece corresponder aos anos de 876-877, permite concluir que, já nessa altura, Marvão era um povoado de relevância militar, uma vez que, em outras ocasiões, Ibn Marwan ameaçou retirar-se para o Monte, numa afirmação de revolta militar contra Córdova (IDEM, p.16).
Desconhecemos a marcha da história da localidade nos séculos seguintes, mas é de admitir que tenha perdido importância, dadas as condições de relativa paz no seio do Islão peninsular que, mesmo com o advento das taifas, manteve uma certa homogeneidade nesta zona, polarizada em torno de Badajoz. Saúl GOMES, 1996, p.341, nota 74, admite que aqui se tenha implantado uma importante comunidade moçárabe mas, até ao momento, não existem suficientes provas que confirmem essa hipótese. Só no século XII voltamos a encontrar menções à localidade, numa altura de renovada importância estratégica enquanto ponto militar (BARROCA, 2000, p.1265), entre o avanço do reino cristão de Portugal, a resistência das tropas islâmicas e a proximidade para com Castela. Ainda assim, não se sabe ao certo quando terá sido conquistada, variando os autores entre as datas de 1160 e 1166 (COELHO, 1924, p.73).
O século XIII é mais fértil em informações e delas podemos concluir que, em 1214, pertencia à coroa nacional, aparecendo mencionada na demarcação do termo de Castelo Branco (PERES, 1969, p.281). Em 1226, terá recebido foral das mãos de D. Sancho II, não obstante alguns autores pensarem que o esforço de povoamento (na dependência das exigências militares ditadas pela proximidade da fronteira com Castela) possa recuar ao reinado de D. Afonso II (MARQUES, 1996, p.41). Finalmente, em 1271, D. Afonso III doou a vila a seu filho, D. Afonso Sanches, nobre que constituiu um verdadeiro senhorio fronteiriço na região e que chegou a fortificar-se contra seu meio-irmão, D. Dinis.
Só a partir da recuperação da posse da vila pelo monarca, ocorrida em 1299, se pensa que se iniciou a construção do actual castelo. O facto de encontramos aqui algumas características plenamente góticas parece vir em favor desta hipótese. Do recinto fazem parte dois níveis claramente diferenciados. O primeiro, mais pequeno e no extremo oposto ao da povoação, corresponde ao castelo propriamente dito, com uma entrada em cotovelo protegida directamente pela poderosa e quadrangular torre de menagem, que assim se associa à defesa activa do reduto, apesar da sua escassa altura, (dispondo apenas de dois pisos). Neste nível superior, existe ainda a porta da traição, também protegida por pequeno torreão, e uma cisterna, que SIDARUS, 1991, pp.22-23 admite poder ser ainda islâmica. O recinto inferior é bem mais vasto e possui um amplo espaço para aquartelamento e movimentação de tropas. Aqui, o elemento mais significativo é o complexo sistema de entrada, com tripla porta protegida por outros tantos adarves e por várias torres.
O sistema medieval da fortaleza manteve-se genericamente até ao século XVII, altura em que Marvão viu reforçada a sua importância no quadro das Guerras da Restauração. Sob o impulso do abade D. João Dama, reformulou-se parcialmente o dispositivo, com baluartes estrelados a proteger as principais portas e o extremo da fortaleza. Nessa altura, porém, Marvão possuía apenas 400 habitantes e a relevância da vila não se podia já comparar a Castelo de Vide, onde se concentraram os principais esforços de defesa contra Espanha.
PAF

Imagens

Bibliografia

Título

"Roteiro dos Monumentos Militares Portugueses"

Local

Lisboa

Data

1948

Autor(es)

ALMEIDA, João de

Título

""Carta arqueológica do concelho de Marvão", Actas do 13º Congresso Luso-Espanhol para o Progresso das Ciências, vol.7, pp.93-119"

Local

Lisboa

Data

1950

Autor(es)

PAÇO, Manuel Afonso do

Título

"Inventário Artístico de Portugal - vol. I (Distrito de Portalegre)"

Local

Lisboa

Data

1943

Autor(es)

KEIL, Luís

Título

"Marvão, Castelo de Vide e Portalegre"

Local

Lisboa

Data

1975

Autor(es)

DINIS, Alberto Calderon

Título

""A constituição do senhorio fronteiriço de Marvão, Portalegre e Arronches, em 1271. Antecedentes regionais e significado político", A Cidade, nº6"

Local

Portalegre

Data

1991

Autor(es)

NOGUEIRA, Bernardo Sá

Título

""A viabilização de um reino", Nova História de Portugal, vol. III, pp.23-64"

Local

Lisboa

Data

1996

Autor(es)

MARQUES, Maria Alegria Fernandes

Título

""Amaia de Ibn Maruán", Ibn Maruan, nº1, pp.13-24"

Local

Marvão

Data

1991

Autor(es)

SIDARUS, Adel

Título

""Marvão. Achegas para a sua história", Arquivo de Beja, nº28-32"

Local

Beja

Data

1978

Autor(es)

MONIZ, Manuel Carvalho

Título

"Apontamentos para a história da pitoresca vila de Marvão"

Local

Portalegre

Data

1974

Autor(es)

BUGALHÃO, Custódio da Mota

Título

"O castelo e fortaleza de Marvão. Os seus alcaides-móres e principaes governadores"

Local

Lisboa

Data

1916

Autor(es)

COELHO, Possidónio Mateus Laranjo

Título

"Marvão nas campanhas da Liberdade"

Local

Portalegre

Data

1935

Autor(es)

LIMA, Henrique de Campos Ferreira

Título

"Marvão. Elucidário breve de uma visita a esta vila"

Local

Lisboa

Data

1946

Autor(es)

COELHO, Possidónio Mateus Laranjo

Título

"Fortificações de Marvão. História, Arquitectura e Restauro"

Local

Portalegre

Data

2001

Autor(es)

BUCHO, Domingos

Título

""O actual concelho de Marvão e as suas freguesias nas Memórias Paroquiais de 1758", Ibn Máruan"

Local

-

Data

1993

Autor(es)

GORJÃO, Sérgio, MACHADO, J. Liberata

Título

"Nicolau de Langres e a sua obra em Portugal"

Local

Lisboa

Data

1941

Autor(es)

MATTOS, Gastão de Mello

Título

"Terras de Odiana. Medobriga, Ammaia, Aramenha, Marvão, 2.ª ed."

Local

Lisboa

Data

1988

Autor(es)

COELHO, Possidónio Mateus Laranjo

Título

"A gloriosa história dos mais belos castelos de Portugal"

Local

Barcelos

Data

1969

Autor(es)

PERES, Damião

Título

"Epigrafia medieval portuguesa (862-1422)"

Local

Lisboa

Data

2000

Autor(es)

BARROCA, Mário Jorge