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Castelo de Braga (restos), designadamente a Torre de Menagem - detalhe

Designação

Designação

Castelo de Braga (restos), designadamente a Torre de Menagem

Outras Designações

-

Categoria / Tipologia

Arquitectura Militar / Castelo

Inventário Temático

-

Localization

Divisão Administrativa

Braga / Braga / Braga (São José de São Lázaro e São João do Souto)

Endereço / Local

Castelo de Braga
Braga
4700 Braga

Proteção

Situação Actual

Classificado

Categoria de Protecção

Classificado como MN - Monumento Nacional

Cronologia

Decreto de 16-06-1910, DG, n.º 136, de 23-06-1910 (ver Decreto)

ZEP

Portaria publicada no DG, II Série, n.º 58, de 9-03-1962

Zona "non aedificandi"

-

Abrangido em ZEP ou ZP

Abrangido por outra classificação

World Heritage

-

Descrições

Nota Histórico-Artistica

O que resta do castelo de Braga (a sua torre de menagem e alguns troços dispersos) é o produto da campanha construtiva trecentista, século de intensa actividade construtiva militar e a que corresponde a maioria das nossas estruturas defensivas medievais, tanto castelos como cercas urbanas. No entanto, a história das muralhas de Braga é bem anterior e passou por muitas mais fases construtivas.
O primeiro momento da História em que se detecta uma estrutura militar a cercar a cidade data da ocupação romana tardia, pelos finais do século III. Graças ao trabalho continuado da Unidade de Arqueologia da Universidade do Minho, tem sido possível conhecer grande parte do seu traçado, cronologia e aparelho construtivo. Os dados mais recentes apontam para uma planta poligonal, definida por troços rectilíneos, e com uma área amuralhada entre 40 e 50 hectares, pontuada por torreões de planta semi-circular, dois deles revelados pelas intervenções arqueológicas (LEMOS, LEITE, FONTES, 2001, pp.125-126).
As informações sobre a história militar de Braga durante a Alta Idade Média não permitem conclusões definitivas acerca do rumo da cerca urbana. Ao que tudo indica, a escolha de Braga para capital do reino suevo deve ter determinado uma manutenção da anterior estrutura organizativa. Neste sentido, o retrocesso da área urbana - que tanto caracteriza a Alta Idade Média ocidental - pode ter acontecido apenas após a unificação do reino visigótico, ou ainda mais tarde, na sequência do repovoamento asturiano-leonês.
Só no século XI encontramos informações mais seguras. Nesta altura, uma segunda cerca estava em formação mas, paradoxalmente, a secção Norte da muralha romana era ainda utilizada para delimitar o perímetro urbano. Ao que tudo indica, a recessão urbana havia cantonado a população junto deste troço, sendo os limites Sul e Oeste definidos por um novo troço de muralha, já altimedieval (IDEM, pp.128-129).
As grandes reformas aconteceram a partir do século XIII. Nesta altura, ter-se-á abandonado o troço Norte das muralhas romanas e a cidade cresceu no sentido setentrional (e não meridional, em direcção à recuperação do antigo espaço romano). Este parece ser o principal facto para que o perímetro medieval pleno não siga o que, inicialmente, os romanos haviam delineado. A nova centralidade da urbe, em torno da sua Sé-Catedral, é outro dos argumentos essenciais para o novo desenho das muralhas.
Infelizmente, é também pouco o que sabemos acerca deste projecto baixo-medieval. As obras decorreram com extrema lentidão e, ao que tudo indica, a nova cerca revelou-se pouco eficaz, na medida em que, na década de 70 do século XIV, a cidade foi conquistada com aparente facilidade pelas tropas castelhanas.
A torre de menagem é o mais importante elemento remanescente do antigo castelo mandado construir por D. Dinis. Com cerca de 30 metros de altura (e um interior de três pisos), impõe-se, ainda hoje, na malha urbana da cidade, apesar da extrema proximidade de muitos edifícios posteriores. A sua construção revela um projecto claramente gótico, com ameias e matacães nos vértices, uma janela geminada no topo, bem como as pedras de armas de D. Dinis.
Ao longo dos séculos XIV e XV, e terminado o castelo, as atenções reais concentraram-se nas muralhas. É neste contexto que surgem numerosas torres, de planta quadrangular, destinadas a afirmar o poder urbano e régio. No entanto, as novas disposições da guerra determinaram a progressiva perda de função deste sistema. No século XVI, eram já muitos os edifícios adossados à cerca, pelo lado exterior, sinal claro da ineficácia e abandono do dispositivo.
Embora o cruzamento de dados arqueológicos com elementos documentais tenha possibilitado o reconhecimento geral do traçado da muralha medieval, a verdade é que existem muitos pontos de dúvida, como o da localização exacta das portas (sabe-se que existiam, pelo menos, 4) e das torres, perguntas que aguardam, ainda, novas intervenções.
PAF

Images

Bibliografia

Título

""A muralha de Bracara Augusta e a cerca medieval de Braga", Mil anos de fortificações na Península Ibérica e no Magreb (500-1500), pp.121-132"

Local

Lisboa

Data

2001

Autor(es)

FONTES, Luís Fernando de Oliveira, LEMOS, Francisco Sande, LEITE, José Manuel Freitas

Título

""Origens da cidade - a Braga romana", Correio do Minho, 30/9/1956"

Local

Braga

Data

1956

Autor(es)

FEIO, Alberto

Título

"Resenha histórica de Braga medieval"

Local

Braga

Data

1968

Autor(es)

PINTO, Sérgio Augusto da Silva

Título

""O castelo de Braga (1350-1450)", Mínia, vol. 8, pp.5-34"

Local

Braga

Data

1986

Autor(es)

MARQUES, José

Título

""A Cidadela de Braga", Ilustração Portugueza, nº 13, pp.402-406"

Local

Lisboa

Data

1906

Autor(es)

MONTEIRO, Manuel

Título

"Castelos em Portugal. Retrato do seu Perfil Arquitectónico"

Local

Coimbra

Data

2010

Autor(es)

CORREIA, Luís Miguel Maldonado de Vasconcelos